Retortas

No mês de janeiro, início das comemorações do Ano Europeu do Património Cultural, escolhemos uma mostra de retortas existentes na coleção do MUHNAC.

Desde as suas origens as retortas foram usadas para destilações, sublimações e combustões.  Imagens de retortas podem ser encontradas em manuscritos alquímicos e ao longo dos séculos os Químicos têm usado as retortas na realização dos seus trabalhos laboratoriais e nas ilustrações dos seus livros. Foram usadas por Lavoisier e mencionadas por António Gedeão em “Pedra Filosofal”. As primeiras retortas eram feitas em grés mas mais tarde surgiram em porcelana, vidro e metal para responderem às necessidades laboratoriais cada vez mais complexas.

Lavoisier usou-as e ilustrou-as no seu livro Traité Élémentaire de Chimie (1789), como por exemplo, na experiência relativa à decomposição da água (A é uma retorta de vidro):

Montagem Experimental da decomposição da água (Lavoisier, 1789)

 

Júlio Máximo de Oliveira Pimentel foi Lente proprietário das Cadeiras de Química da Escola Politécnica de Lisboa entre 1837 e 1864. Foi o responsável pela instalação inicial do Laboratorio Chimico e aquisição de uma coleção científica de Química. Publicou “Lições de Chymica Geral e suas Principaes Applicações” onde se refere a experiências do Tratado de Lavoisier, algumas incluídas nos Trabalhos Práticos da 6.ª Cadeira entre 1850 a 1873:

Pimentel refere: “No ar atmosférico que cerca o nosso globo existe um dos elementos mais importantes da natureza, (…). Este elemento é o oxigénio, cuja imensa importância na physica do globo e na maior parte dos fenómenos chymicos nos foi revelada pelos trabalhos de Lavoisier (fig.5).”

Montagem experimental da preparação do oxigénio (Pimentel, 1850)

 

Lavoisier descreveu a retorta como o mais simples de todos os aparelhos destilatórios. Usou nas suas experiências muitas retortas de vidro mas referiu também que “sendo os vasos de vidro muito frágeis e não resistindo às alternativas bruscas de calor e do frio, imaginou-se fazer aparelhos destilatórios em metal”.

As retortas metálicas surgiram para o aquecimento de substâncias do qual se originam gases em grande tensão que poderiam provocar a fratura de um vaso frágil ou a corrosão do vidro. A retorta de Seleron é constituída por uma pansa e um capitel, a goteira é vedada com gesso. No caso de a pressão aumentar consideravelmente no interior da retorta, o gesso parte-se e o capitel, separando-se da pansa, deixa escapar os gases, não havendo portanto perigo para o operador.

Dentro da coleção de Química, o MUHNAC detém uma importante coleção de retortas, aparentemente do séc. XIX e XX, de diferentes tipos, cujas imagens se encontram reproduzidas em catálogos da época.

 

English version